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27/08/2009

poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry


Fez uma breve e meticulosa retrospectiva mental. Agora finalmente poderia deitar a cabeça no travesseiro e dormir. O corpo do psiquiatra jamais seria encontrado.


alexandre brito
do inédito sem nome.
poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry



Sentiu ciúme ao ver outro garoto dependurado na goiabeira da sua infância.


alexandre brito
do inédito sem nome.
poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry



Zé Pelintra do Catimbó

o mal-ajambrado pretende fazer boa figura
presunçoso nos modos e no vestir
não sente constrangimento algum de seus atos sensuráveis
dá um trato legal no visú
e sai por aí esbanjando malandrage
idade não desmerece
preto quase preto retinto
terno branco de bric
camisa de cetim vermelho, chapéu
branco também, usadinho em bom estado
de bric também
e já vai ele de bengala,
corrente dourada, anéis nos dedos
elegância manemolente
lhe cairia bem um dente de ouro no sorriso
mas não tem pro gasto
vai baixar lá no catimbó da Mãe serena
antiga na religião
renega Umbanda, Candomblé, Batuque
Catimbó é tradição
Mãe preta gosta de batidinha de coco
pinga com butiá, ou purinha mesmo
Mãe serena é Zé Pelintra
tem festa no Congá.

alexandre brito
do inédito Cine ABC
poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry



sopra o vento
sento em silêncio
sentir é lento



alexandre brito
do livro Zeros / Coleção Petit-Poa

poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry
Las Manos del Horror - Guaysamin

a coisa

acelerou na curva
ao entrar na Cavalhada avistou longe um passageiro
na parada uma surpresa. ninguém
fora ilusão de ótica? podia jurar que vira alguém
sua vista aguçada não costumava errar. tudo bem
passava da meia-noite e meia. estava cansado
seria a última viagem antes de recolher

arrancou o carro. engatou uma segunda
virou para comentar o fato com o colega
desaparecera
mais frio que aquela noite de inverno foi o arrepio
que percorreu-lhe. incrédulo olhou uma outra vez
para certificar-se do que acabara de ver
evaporara mesmo. vestígio algum do cobrador

seguiu para o fim da linha direto sem escalas
não pararia nem para o papa
mas nem bem acabara de pisar fundo o acelerador
um ruído. a catraca gira
aquele som não fazia sentido
o sentido da avenida não fazia sentido
o horror agira. a coisa finalmente o atingira

alexandre brito
do inédito Cine ABC
poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry

Haroldo de Campos

GALAXIAS ( I )

e começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e remeço e arremesso
e aqui me meço quando se vive sob a espécie da viagem o que importa
não é a viagem mas o começo da por isso meço por isso começo escrever
mil páginas escrever milumapáginas para acabar com a escritura para
começar com a escritura para acabarcomeçar com a escritura por isso
recomeço por isso arremeço por isso teço escrever sobre escrever é
o futuro do escrever sobrescrevo sobrescravo em milumanoites miluma-
páginas ou uma página em uma noite que é o mesmo noites e páginas
mesmam ensimesmam onde o fim é o comêço onde escrever sobre o escrever
é não escrever sobre não escrever e por isso começo descomeço pelo
descomêço desconheço e me teço um livro onde tudo seja fortuito e
forçoso um livro onde tudo seja não esteja um umbigodomundolivro
um umbigodolivromundo um livro de viagem onde a viagem seja o livro
o ser do livro é a viagem por isso começo pois a viagem é o comêço
e volto e revolto pois na volta recomeço reconheço remeço um livro
é o conteúdo do livro e cada página de um livro é o conteúdo do livro
e cada linha de uma página e cada palavra de uma linha é o conteúdo
da palavra da linha da página do livro um livro ensaia o livro
todo livro é um livro de ensaio de ensaios do livro por isso o fim-
comêço começa e fina recomeça e refina e se afina o fim no funil do
comêço afunila o comêço no fuzil do fim no fim do fim recomeça o
recomêço refina o refino do fum e onde fina começa e se apressa e
regressa e retece há milumaestórias na mínima unha de estória por
isso não conto por isso não canto por isso a nãoestória me desconta
ou me descanta o avesso da estória que pode ser escória que pode
ser cárie que pode ser estória tudo depende da hora tudo depende
da glória tudo depende de embora e nada e néris e reles e nemnada
de nada e nures de néris de reles de ralo de raro e nacos de necas
e nanjas de nullus e nures de nenhures e nesgas de nulla res e
nenhumzinho de nemnada nunca pode ser tudo pode ser todo pode ser total
tudossomado todo somassuma de tudo suma somatória do assomo do assombro
e aqui me meço e começo e me projeto eco do comêço eco do eco de um
começo em eco no soco de um comêço em eco no oco de um soco
no osso e aqui ou além ou aquém ou láacolá ou em toda parte ou em
nenhuma parte ou mais além ou menos aquém ou mais adiante ou menos atrás
ou avante ou paravante ou à ré ou a raso ou a rés começo re começo
rés começo raso começo que a unha-de-fome da estória não me come
não me consome não me doma não me redoma pois no osso do comêço só
conheço o osso o osso buço do comêço a bossa do comêço onde é viagem
onde a viagem é maravilha de tornaviagem é tornassol viagem de maravilha
onde a migalha a maravilha a apara é maravilha é vanilla é vigília
é cintila de centelha é favilha de fábula é lumínula de nada e descanto
a fábula e desconto as fadas e conto as favas pois começo a fala

* Trecho do poema Galáxias de Haroldo de Campos *

Haroldo Eurico Browne de Campos
seu primeiro livro é de 1949 poeta de vasta, profunda e sofisticada cultura, poliglota, aprendeu "os primeiros" idiomas no Colégio São Bento, como o latin, inglês, espanhol e francês., O Auto do Possesso quando, ao lado de Décio Pignatari, participava do Clube de Poesia. em 1952, Décio, Haroldo e seu irmão Augusto de Campos rompem com o Clube, por divergirem quanto ao conservadorismo predominante entre os poetas, conhecidos como Geração de 45". a crença em uma "crise no verso" o levou ao experimentalismo, à busca de novas formas de estruturação e sintaxe, em curtos poemas-objeto ou longos poemas em prosa.fundam, então, o grupo Noigandres, passando a publicar poemas na revista de mesmo título. nos anos seguintes defendeu as teses que levariam os três a inaugurar em 1956 o movimento concretismo, ao qual manteve-se fiel até o ano de 1963, quando inaugura um trajeto particular, centrando suas atenções no projeto do livro-poema "Galáxias". doutorou-se pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, sob orientação de Antônio Cândido. considerado o "mais barroco" dos concretistas, em 1999, o Prêmio Jabuti de poesia foi conferido para seu livro "Crisantempo: No Espaço Curvo Nasce Um" (1998). foi professor da PUC-SP, bem como na Universidade do Texas, em Austin. dirigiu até o final de sua vida a coleção Signos da Editora Perspectiva. "Transcriou" em português poemas de autores como Homero, Dante, Mallarmé, Goethe, Mayakovski, além de textos bíblicos, como o Gênesis e o Eclesiastes. com mais de 30 livros publicados, como "A Máquina do Mundo Repensada", último livro publicado em vida, onde declara já em seu título o diálogo com A Divina Comédia (Dante), Os Lusíadas (Camões), produziu numerosos e fundamentais ensaios de teoria literária, entre eles A Arte no Horizonte do Provável (1969).

22/08/2009

poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry



Sapato italiano. Terno inglês. Ajustou a gravata francesa e pulou da Golden Gate: elegante até o fim.


alexandre brito
do inédito sem nome

15/08/2009

poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry
Mulher nua na cidade - Rui Perdigão


Buceta de subúrbio ornamentando a rua



ela agachou no meio fio e aliviou

indiferente às buzinas

aos cuspes

a todas as latrinas


ela fumava um fino ainda

e tinha um resto de dente no sorriso


fazia contorcionismo

para ver a fumaça que fugia

da calçada


mijo quente pedra fria


tanta gente passava

ninguém (h)a via


Sandra Santos

gaúcha de temperamento mate. não coleciona prêmios nem escândalos. tem escrito a vida por linhas tortas, mas longe dos holofotes. o poema "Buceta de suburbio ornamentando a rua" é do seu inédito "Lexofágico".


01/07/2009

poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry

ilustração da capa: xilo de Renato de Mattos Motta



" Luuua, luuuua, luuuua,
Lá no auuu, lá no au auuuu,

Lá no alto brilhando!
Luuua, luuuua, luuuua!
Aluuuu... aluuuu... aluminando

Ora se não é o primo lobo
Nos dando concerto noturno
Mas cala essa boca logo
Antes que voe um coturno!

Ora veja, primo cachorro
Como está gordo e cevado
Enquanto eu de fome morro
Que boa vida tem levado!

Realmente não me queixo
Porque nada me faz falta
Tenho comida – até deixo
Que também nem cabe tanta

Na mata, primo, nem queira
Saber como anda a vida
Se anda a semana inteira
E não se acha comida!

Aqui tenho até uma casa

Ao lado da do meu patrão
Não por pouco fico prosa
Isto sim que é um vidão!

Na mata, o céu é o abrigo
Por teto somente folhas
Cobertas é aperta-se a um amigo
Se chove, por certo te molhas

Isso que tens não é vida
Isto é só necessidade
Devias deixar esta lida
Com os homens fazer sociedade

Mas que posso fazer

Pra conquistar tal amizade
Se o homem só de me ver
Já dá tiros sem piedade?

Também, o que queres?

Pudera! Basta alguém se aproximar
Já fazes cara de fera
E começas a rosnar! "


Renato de Mattos Motta é múltiplo. poeta, artista-plástico, fotógrafo, tradutor, publicitário. publicou Pau de Poemas (com ilustrações próprias em xilogravura), Salamanca (adaptação para quadrinhos de J. S. Lopes Neto), Fotopoemas e a Coleção Fogo do Verbo (caixas de fósforos com poemas). é responsável pela concepção gráfica e conceito editorial da Coleção Poesia Viva. o trecho postado é do primeiro volume do seu Os Cantos da Carochinha, transposição livre, em versos, das Estórias da Carochinha (que integra a Coleção Poesia Viva), lançada recentemente pela Editora Porto Poesia (portopoesia2@gmail.com).
poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry



O museu

por que um museu?
perguntou a musa ao dicionário
porque é necessário respondeu

tem que ter
um lugar um lugar um lugar
onde ver cabe dentro do olhar

que mancha vira rinoceronte

janela porta proutro horizonte
hoje nunca esquece de anteontem
e mármore flutua mais leve que o ar

um lugar sem pressa
que os azulejos contem uma história
e as escadas encantadas
levem ao mundo dos contos de fada

onde a emoção exata de um tigre
salte da xícara para a íris
e uma idéia, na sua forma alada mais rara
surpreenda o visitante e encontre um coração

um lugar que...
quando todos vão embora
e tudo fica completamente a sós
o vento que vem de lugar nenhum
sopra pelos corredores

as esculturas ganham vida
os personagens descem dos quadros
seguem todos para o grande salão
e lá reunidos, se divertem, dançam
fazem piadas sobre nós


alexandre brito
ilustração: Eduardo Vieira da Cunha

13/06/2009

poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry

capa: gravura de Marcius de Andrade

.
fenece a tarde cinza
como o sopro da chaminé
em frente a casa
o cedro envelhece

enquanto faço versos
em minhas mãos dançam rugas
que ao contorno da escrita obedecem
aduncas
contemplo o balé
que tantas tardes
se encarregam de compor
à pele em flor


no entanto faço versos
como os galhos encanecidos
das árvores que serenamente
seguem o vento
.

Juliana Meira
é poeta e tem nos livros de direito uma companhia que beira a estranheza. mas tudo é estranho no caminho de um poeta. quando li seus primeiros poemas vi que havia encontrado uma poeta. agora estréia em livro com seu "poema dilema", editado pela jovem e alvissareira editora Porto Poesia (portopoesia2@gmail.com). Juliana também escreve no
tempoema (www.juliana-meira.blogspot.com).




capa: gravura de Paulo Chimendes

Benção


O tempo tatua marcas
suaves na minha pele
como se escrevesse um poema
como se minhas cicatrizes
pudessem salvar a minha alma.


Mara Faturi tem muitos ocos dentro dela. também alguns abismos e porteiras fechadas. atrás dos seus olhos há uma vertente que de vez em quando se inunda de si mesma. então se lança em vôos de poeta num silêncio de azul profundo. essa é a Mara. essa é a poeta. acaba de lançar "andanças" pela editora Porto Poesia (portopoesia2@gmail.com).

17/05/2009


oroboros
.
.
a língua é uma serpente sem pele e sem dentes
morde a si mesma com as gengivas de um velho diabo
.
já foi minha vizinha
mas no mês passado mudou para endereço ignorado
.
não bate bem do firmamento
tem a cabeça cheia de vocábulos
.
a víbora linguística
diz que do pensamento é o substrato
.
em nominar o inominado insiste
.
e só não é deus não porque não quer
mas porque ele não existe
.
.
alexandre brito
do inédito Cine ABC

05/04/2009

.
cambacicas

meu pai é uma espécie em extinção
dezenas de passarinhos o visitam diariamente
na sacada do apartamento

há um relacionamento de confiança entre eles
Cambacicas, Sanhaços, Saíras, Beija-flores
querem seu quinhão de água doce e guaraná

lê a Zero todos os dias
ouve o noticioso, assiste aos telejornais
não dá mais pra acreditar nos políticos
bandido brasileiro só é bandido no exterior
aqui é ministro, deputado, senador

preocupa-se com os netos, com os amigos
com parentes, o condomínio
comigo como se eu tivesse 48 anos
minha mãe não
pra ela não passei dos oito, treze, dezoito

os passarinhos fazem algazarra na sacada
querem mais do néctar que só ele faz
cada um tem um pai que o trouxe ao mundo
eu tenho um que ainda me trás
.
alexandre brito
do inédito Cine ABC

27/03/2009

tese sobre nada


uma caligrafia do imaginário
se reproduz segundo um código cifrado
em que se representam as idéias mediante caracteres simbólicos
metáforas consecutivas consideradas organicamente
nas constelações a que pertencem
sem auxílio de referências outras que não elas mesmas
mas, ao acolher ecos e reverberações sígnicas não mensuráveis
mantém um sentido, nas feições, no gesto
sempre transfigurado

assim uma escritura em ruptura
que avança do familiar ao desconhecimento
é lavrada no livro secreto das dúvidas
e, sem aparente significado especial
desprovida de qualquer relevância imediata
apenas e tão somente
articula substâncias essenciais medulares
exprimindo, por alusão, matéria subliminal
potencialmente transgressiva

pois esta entidade abstrata
esta quase impossibilidade
literalmente incapaz de ser definida
e determinada com certeza e/ou precisão
propaga-se, conceitual e esteticamente
quer por intangível que seja
quer por outro qualquer motivo
para além dos mapas tábuas e notações pré-estabelecidas
onde por exemplo, pedra em relação a ventania
harpia em relação a fósforo
ou ainda estrevania em relação a betoneira
habitam o âmago de uma mesma incógnita

sinto muito pelos cinco sentidos
não sentem o que eu sinto
os dois pés na cabeça de um fermento
encalacrado fora da zona de segurança
quando cada pormenor sem valor é crucial
e percorre o mesmo sol insólito dos hieróglifos
e, diferentemente do que se enuncia
a complexa simplicidade das coisas não requer preâmbulos
afirma-se per si, por abrasão, atrito, ou pelo puro
logológico jogo dos esquivocábulos

em sendo assim
uma poética das arestas é o que resta
protuberância viva no desmesuradamente plano
a parte visível do infinitamente dentro
o quinto lado do triângulo
.
alexandre brito
do inédito Cine ABC.

17/03/2009



Doravante Dora


Na noite escura
A luz é Dora
Dourada Dora
Mulher não és
Rabit, Dora?
Entre os sinais
Sinaliza Dora
Entre os espelhos
Já é Senhora
Sem mãe, sem pai
Sem história
Simplesmente Dora
Dourando ao sol
Dura luz
De Dezembro
É Dora
Café pequeno
No Café Concerto
Entre borboletas
Mariposa é Dora
DuraDoura
Contra a luz
No chafariz
Moeda morta
Meretriz
Menina insiste
Do fundo do fosso
Canção blue
Tema livre
Dora em declive
Teto Escarro Vão
Na noite escura
Luz difusa
Mariposa descontinua
Alguém chora
No beco escorre
Para sempre, Dora...
.
Sandra Santos
poeta, artista plástica, web-expert, assina o blog "A gata por um fio".

27/02/2009



não busco a palavra exata
o sentido. o sentimento
nem a pedra lançada no firmamento
ventania que represa o rio
entendimento

ou a palavra pela palavra
o sofrimento antigo. o novo
a liberdade selvagem do lobo
instinto que se quer arte
perfeição do ovo

não busco. mas encontro
.

alexandre brito
do inédito Cine ABC

26/02/2009


a rede


mergulhado na tarde esquisita
cometo uma ideia aqui outra ali
entrevejo a mulher que eu adoro
e me divirto


aspiro rapé
alguns decímetros cúbicos de ar
e um poema beat desmesurado


"...a irrealidade é meu chão
e o esquecimento a minha bússola"

há que dispormos das armas necessárias no cinto de mil e uma inutilidades para enfrentar os malfeitores, a burocracia maquiavélica oficial remunerada e os arque-inimigos do Pasquim

mergulhado nessa esquisitice completa
faço anotações pra depois do crepúsculo


o crepúsculo tem músculos, oníricos músculos
e tudo ronrona depois do crepúsculo
basta esticar o dedo e pedir uma carona que ele te leva onde ninguém
só você


cochilo sobre essa ideia
"...depois do crepúsculo tudo ronrona"


desperto hirto

aquela manhã morna virou essa tarde quente

ê modorra pachorrenta... antes uma rede
meu reino por uma rede


a mulher que eu adoro se despe
abre suas asas de delícias sobre nossa cama
quero o que ela quer

o poema pode esperar
.
alexandre brito
do inédito cine ABC