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21/11/2009




a colônia de cupins trabalha
em minha mesa de centro sua casa

rente às notícias passadas
passeiam traças

e nas tomadas a muda sintonia
das formigas

enquanto o porta-retrato empoeirado
transmuda ácaros em teu descaro
na antiga fotografia


Juliana Meira

Juliana Meira nasceu na cidade de Carazinho. é poeta e advogada. publicou Poema Dilema pela editora PortoPoesia, em 2009. participa de recitais. reside em Porto Alegre.




Blow up


1.

Queria te dar
a primavera

No parque
queria te dar
todo cheiro
Mas essas flores
congeladas
apontam
A morte
da fotografia


2.

Nenhuma pista
devolve teu corpo
As paredes não mexem

Eu colo cartazes
num azul
sempre igual
As máquinas
transcendem

São serpentes

Teu cabelo úmido
na minha tela

Teu corpo estirado
na minha cama


Tema Scherer

Telma Scherer formada em Filosofia e mestra em literatura comparada. publicou Desconjunto em 2002 e Rumor da Casa em 2008. nasceu em Lajeado. é poeta. mora em Porto Alegre.





Descansa na parede
tua fotografia
amarelando em saudade


Mara Faturi

Mara Faturi é poeta, publicitária e haicaísta de plantão. em 2009 estréia em livro com Andanças, pela editora PortoPoesia.

20/11/2009




Retrato urbano


no siêncio guardado
no armário do nada

um gole de esperança
vestido de solidão
pinta-se de coragem

e com um amargo
sol nos olhos
mais um dia termina
com gosto de não vivi


Cláudia Gonçalves

Cláudia Gonçalves é poeta e ativista cultural. membro da Casa do Poeta Rio-Grandense. participou de doze antologias. tem poemas publicados em jornais, revistas, e-books e nos sites: Alma de poeta, Poetas del mundo, Recanto das letras, Usina das palavras, Artistas gaúchos e outros.

07/09/2009


conheça o blog da gata clicando aqui

Dica de blog:
A Gata por um Fio - A melhor literatura

a gata” já está há uns cinco anos na rede e atende pelo nome de Sandra Santos. neste tempo conquistou um espaço super bacana no web-mundo. a blogueira é artista plástica, poeta e outras cositas mais, razão pela qual literatura e artes visuais são assuntos permanentemente tratados. tecnologia é outra área de interesse da gata que também tem um apreço especial por viagens, drinks, lendas, etc etc e etc. sua curiosidade não tem limites. o gosto pela pintura, particularmente a pintura Naif, transformou o blog num espaço permanente de divulgação. ela está atualmente catalogando pintores Naifs do Brasil todo. “A Gata”chama atenção pela qualidade dos posts que, invariavelmente, ocultam dedicação extrema e pesquisa extensa. essa seriedade atraiu a atenção de craques no assunto como por exemplo o Bobs, site alemão que seleciona os melhores blogs do mundo, que destacou/indicou "A Gata por um Fio" como um dos melhores em conteúdo de língua portuguesa. uma seção prestigiadíssima era a "Domingo eu Conto", que a cada semana selecionava para degustação um trecho de um conto de algum autor conhecido, propondo uma espécie de degustação às escuras. os leitores deveriam adivinhar, pelas características de estilo e linguagem, de qual escritor(a) pertencia aquele texto. no "domingo" seguinte o enigma era desvelado, o conto publicado na íntegra, revelando o seu autor, quando então uma nova xarada se repetia. ao que parece, tudo indica que esta brincadeira deve voltar ao blog em breve.

bom minha gente, fica aqui de bandeja essa fina e afiada sugestão aos leitores frequentes e de passagem. abaixo, links para alguns posts imperdíveis da gata. clicaí:

Contos:
O homem na multidão - Edgar Allan Poe
para ler clique aqui

Em terra de cego - H.G. Wells
para ler clique aqui

Lendas:
E-book - Salamanca do Jarau - Simões Lopes Neto
para ler clique aqui

Poemas:
Cão sem plumas - Cabral de Melo Neto
Leda e o Cisne - William Butler Yeats
O Duro Cerne da Beleza - William Carlos Williams
A Pantera - Rainer Maria Rilke
para ler clique aqui

Arte é Viagem - Cidades históricas de Minas Gerais
para ler clique aqui

Cultura Etílica - Drinks Curiosos
para ler clique aqui

02/09/2009


Paulo Leminski

Dia 24 de agosto Paulo Leminski estaria fazendo 65 anos. Dos poetas da sua geração, Paulo Leminski Filho foi aquele que com maior radicalidade integrou a artesania da palavra com a espontaneidade da criação. Sem pudores de rimar humor e dor, seus textos podem ser lidos em múltiplos registros, do culto ao popular, sem perder seu poder de comunicabilidade. Estudioso de línguas e pesquisador da linguagem, sua obra está mais próxima a da "poesia de invenção", e na prosa, ao "experimentalismo", tendo em seu "Catatau" e em "Agora é que são elas", dois momentos altos desta prosa chamada por ele mesmo de "porosa". Mestiço de pai polonês com mãe negra, é dono de uma extensa e relevante obra. Desde cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, trabalhando poemas breves, trocadilhos, brincando com ditados populares. Foi um importante divulgador do haicai no Brasil, gênero da poesia japonesa que praticava com maestria. Aos catorze anos, foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo, onde estudou grego e latin. Participou do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda onde conheceu Haroldo de Campos, amigo e parceiro em várias obras. Estreou em 1964 com cinco poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, porta-voz da poesia concreta paulista. Teve ao seu lado por vinte anos a poeta Alice Ruiz, com quem teve três filhos. Juntos influenciaram decisivamente não apenas a cena da poesia da sua época mas toda uma geração. A música foi uma de suas paixões, proporcionando uma discografia rica e variada. Verdura, de 1981, foi gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras. Por sua formação intelectual, Leminski é visto por muitos como um poeta de vanguarda, todavia por ter aderido à contracultura e ter publicado em revistas alternativas, muitos o aproximam da geração da poesia marginal. Em 1975 lançou o seu ousado Catatau, que denominou "prosa experimental". Além de poeta e prosista, Leminski foi também tradutor. Sua personalidade inquieta, intensa e carismática, seu pensamento arrojado e inventivo, transformou-o em referência no cenário da cultura brasileira. Conviveu com poetas, músicos e intelectuais de sua época como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Régis Bonvicino, Moraes Moreira, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes, Wally Salomão, Jorge Mautner, Antônio Cícero, Antonio Risério, Julio Plaza, Reinaldo Jardim, Fred Maia, Regina Silveira, Helena Kolody, Turiba, Ivo Rodrigues. Foi tradutor de Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett e Yukio Mishima. Entre 1987 e 1989 foi colunista do Jornal de Vanguarda que era apresentado por Doris Giesse na Rede Bandeirantes. Foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 a biografia de Matsuo Bashô. Leminski também era faixa-preta de judô. Sua obra literária tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 30 anos.


um deus também é o vento
só se vê nos seus efeitos
árvores em pânico
bandeiras
água trêmula
navios a zarpar

me ensina
a sofrer sem ser visto
a gozar em silêncio
o meu próprio passar
nunca duas vezes
no mesmo lugar

a este deus
que levanta a poeira dos caminhos
os levando a voar
consagro este suspiro

nele cresça
até virar vendaval

Paulo Leminski
do livro Caprichos e Relaxos / Brasiliense


SEM BUDISMO

Poema que é bom

acaba zero a zero.
Acaba com.
Não como eu quero.
Começa sem.
Com, digamos, certo verso,
veneno de letra,
bolero. Ou menos.
Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
e sozinho.


Paulo Leminski
do livro Distraidos Venceremos / Brasiliense
______________________________

Obra poética

Quarenta clics de Curitiba. Poesia e fotografia, com o fotógrafo Jack Pires.
Curitiba, Etecetera. 1976. (2ª edição Secretaria de Estado Cultura, Curitiba, 1990.) n.p.
Polonaises. Curitiba, Ed. do Autor, 1980. n.p.
Não fosse isso e era menos / não fosse tanto e era quase. Curitiba, Zap, 1980. n.p.
Tripas. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.
Caprichos e relaxos. São Paulo, Brasiliense, 1983. 154p.
Hai Tropikais. Ouro Preto, Fundo Cultural de Ouro Preto, 1985. n.p.
Um milhão de coisas. São Paulo, Brasiliense, 1985. 6p.
Caprichos e relaxos. São Paulo, Círculo do Livro, 1987. 154p.
Distraídos venceremos. São Paulo, Brasiliense, 1987. 133p. (5ª edição 1995)
La vie en close. São Paulo, Brasiliense, 1991.
Winterverno (com desenhos de João Virmond). Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1994.
Szórakozott Gyozelmunk - Distraídos venceremos, tradução de Zoltán Egressy, Hungria, ed. Kráter, 1994. n.p.
O ex-estranho. Iluminuras, São Paulo, 1996.
Melhores poemas de Paulo Leminski. (seleção Fréd Góes) Global, São Paulo, 1996.
Aviso aos náufragos. Coletânea organizada e traduzida por Rodolfo Mata. Coyoacán - México, Eldorado Ediciones, 1997. n.p.

Obra em prosa

Catatau (prosa experimental). Curitiba, Ed. do Autor, 1975. 213p.
Agora é que são elas (romance). São Paulo, Brasiliense, 1984.1 63p.
Catatau. 2ª ed. Porto Alegre, Sulina, 1989. 230p.
Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego (prosa poética/ensaio). Iluminuras, São Paulo, 1994.
Descartes com lentes (conto). Col. Buquinista, Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1995.
Agora é que são elas (romance). 2ª ed. Brasiliense / Fundação Cultural de Curitiba, 1999.

Literatura infanto-juvenil

Guerra dentro da gente. São Paulo, Scipione, 1986. 64p.
A lua foi ao cinema. São Paulo, Pau Brasil, 1989. n.p.

Biografias

Cruz e Souza. São Paulo, Brasiliense. 1985. 78p.
Matsuó Bashô. São Paulo, Brasiliense, 1983. 78p.
Jesus. São Paulo, Brasiliense, 1984, 119p.
Trotski: a paixão segundo a revolução. São Paulo, Brasiliense, 1986.
Vida (biografias: Cruz e Souza, Bashô, Jesus e Trótski). Sulina, Porto Alegre, 1990. (2ª edição 1998)ENSAIOS
POE, Edgar Allan. O corvo. São Paulo, Expressão, 1986. 80p. (apêndice)
Poesia paixão da linguagem. Conferência incluída em Sentidos da paixão. Rio de Janeiro, Companhia das Letras, 1987. p.287-305.
Nossa linguagem. In: Revista Leite Quente. Ensaio e direção. Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, v.1, n.1, mar.1989.
Anseios crípticos: peripécias de um investigador dos sentido no torvelinho das formas e das idéias. Curitiba, Criar, 1986. 143p.
Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego (prosa poética/ensaio). Iluminuras, São Paulo, 1994.
Ensaios e anseios crípticos. Curitiba, Pólo Editorial, 1997. n.p.

Traduções

FANTE, John. Pergunte ao pó. São Paulo, Brasiliense, 1984.
FERLINGHETTI, Lawrence. Vida sem fim (com Nelson Ascher e outros tradutores). São Paulo, Brasiliense, 1984. n.p.
JARRY, Alfred. O supermacho; romance moderno. São Paulo, Brasiliense, 1985. 135p. lndição editorial, posfácio e tradução do francês.
JOYCE, James. Giacomo Joyce. São Paulo, Brasiliense, 1985. 94p. Edição bilingüe, tradução e posfácio.
LENNON, John. Um atrapalho no trabalho. São Paulo, Brasiliense, 1985.
MISHIMA, Yukio. Sol e aço. São Paulo, Brasiliense, 1985.
PETRONIO. Satyricon. São Paulo, Brasiliense, 1985.191 p. Traducão do latim.
BECKETT, Samuel. Malone Morre. São Paulo, Brasiliense, 1986.16Op. lndicação editorial, posfácio e traduções do francês e inglês.
Fogo e água na terra dos deuses. Poesia egípcia antiga. São Paulo, Expresão, 1987. n.p.

28/08/2009

repostando o poema de Alice Ruiz para o livro Visagens de Alexandre Brito
manuscrito com poema/praga de Alice, sabiamente preservado
por Alonso Alvarez, em noite curitibana memorável de 1986.


praga para o Alexandre


que o breve
seja de um longo pensar

que o longo
seja de um curto sentir

que tudo seja leve
de tal forma
que o tempo nunca leve

Alice Ruiz
praga- poema de apresentação
ao livro Visagens - Alexandre Brito / Arte Pau Brasil

27/08/2009


foto de Manuel Bandeira em seu observatório de livros


ESTRELA DA MANHÃ


Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã

Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda parte


Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto

Depois comigo

Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra
[e direi coisas de uma ternura tão simples

Que tu desfalecerás

Procurem por toda a parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã.

Manuel Bandeira
do livro Estrela da Manhã.


A CÓPULA

Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: - "Eu morro! queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro a o mangalho até o cabo.

Manuel Bandeira



escultura: Lowe London

a realidade é uma oficina pirogênica

no sopé
da grande bunda pasmacenta
a cloaca sagrada expele repugnâncias e bem-aventuranças
que o artista decompõe pacientemente em seu
atelier psicobélico de inutilidades

cada fibra
cada naco putrefato levado ao sol
cada rejeito dejeto embalagem plástica reciclada
uma fratura exposta, acinte-impropério, artefato belicoso
sob encomenda para a Bienal Internacional das Artes
de São Joaquim de Campos Leão

enquanto isso a cidadela se diverte
na opulência de sua indiferença degenerada
costela gorda polenta assada drogas mentiras e sexo pago
integralmente deduzível da pessoa física

alexandre brito
do inédito Cine ABC
poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry



Zé Pelintra do Catimbó

o mal-ajambrado pretende fazer boa figura
presunçoso nos modos e no vestir
não sente constrangimento algum de seus atos sensuráveis
dá um trato legal no visú
e sai por aí esbanjando malandrage
idade não desmerece
preto quase preto retinto
terno branco de bric
camisa de cetim vermelho, chapéu
branco também, usadinho em bom estado
de bric também
e já vai ele de bengala,
corrente dourada, anéis nos dedos
elegância manemolente
lhe cairia bem um dente de ouro no sorriso
mas não tem pro gasto
vai baixar lá no catimbó da Mãe serena
antiga na religião
renega Umbanda, Candomblé, Batuque
Catimbó é tradição
Mãe preta gosta de batidinha de coco
pinga com butiá, ou purinha mesmo
Mãe serena é Zé Pelintra
tem festa no Congá.

alexandre brito
do inédito Cine ABC
poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry



sopra o vento
sento em silêncio
sentir é lento



alexandre brito
do livro Zeros / Coleção Petit-Poa

01/07/2009

poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry

ilustração da capa: xilo de Renato de Mattos Motta



" Luuua, luuuua, luuuua,
Lá no auuu, lá no au auuuu,

Lá no alto brilhando!
Luuua, luuuua, luuuua!
Aluuuu... aluuuu... aluminando

Ora se não é o primo lobo
Nos dando concerto noturno
Mas cala essa boca logo
Antes que voe um coturno!

Ora veja, primo cachorro
Como está gordo e cevado
Enquanto eu de fome morro
Que boa vida tem levado!

Realmente não me queixo
Porque nada me faz falta
Tenho comida – até deixo
Que também nem cabe tanta

Na mata, primo, nem queira
Saber como anda a vida
Se anda a semana inteira
E não se acha comida!

Aqui tenho até uma casa

Ao lado da do meu patrão
Não por pouco fico prosa
Isto sim que é um vidão!

Na mata, o céu é o abrigo
Por teto somente folhas
Cobertas é aperta-se a um amigo
Se chove, por certo te molhas

Isso que tens não é vida
Isto é só necessidade
Devias deixar esta lida
Com os homens fazer sociedade

Mas que posso fazer

Pra conquistar tal amizade
Se o homem só de me ver
Já dá tiros sem piedade?

Também, o que queres?

Pudera! Basta alguém se aproximar
Já fazes cara de fera
E começas a rosnar! "


Renato de Mattos Motta é múltiplo. poeta, artista-plástico, fotógrafo, tradutor, publicitário. publicou Pau de Poemas (com ilustrações próprias em xilogravura), Salamanca (adaptação para quadrinhos de J. S. Lopes Neto), Fotopoemas e a Coleção Fogo do Verbo (caixas de fósforos com poemas). é responsável pela concepção gráfica e conceito editorial da Coleção Poesia Viva. o trecho postado é do primeiro volume do seu Os Cantos da Carochinha, transposição livre, em versos, das Estórias da Carochinha (que integra a Coleção Poesia Viva), lançada recentemente pela Editora Porto Poesia (portopoesia2@gmail.com).