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07/09/2009


conheça o blog da gata clicando aqui

Dica de blog:
A Gata por um Fio - A melhor literatura

a gata” já está há uns cinco anos na rede e atende pelo nome de Sandra Santos. neste tempo conquistou um espaço super bacana no web-mundo. a blogueira é artista plástica, poeta e outras cositas mais, razão pela qual literatura e artes visuais são assuntos permanentemente tratados. tecnologia é outra área de interesse da gata que também tem um apreço especial por viagens, drinks, lendas, etc etc e etc. sua curiosidade não tem limites. o gosto pela pintura, particularmente a pintura Naif, transformou o blog num espaço permanente de divulgação. ela está atualmente catalogando pintores Naifs do Brasil todo. “A Gata”chama atenção pela qualidade dos posts que, invariavelmente, ocultam dedicação extrema e pesquisa extensa. essa seriedade atraiu a atenção de craques no assunto como por exemplo o Bobs, site alemão que seleciona os melhores blogs do mundo, que destacou/indicou "A Gata por um Fio" como um dos melhores em conteúdo de língua portuguesa. uma seção prestigiadíssima era a "Domingo eu Conto", que a cada semana selecionava para degustação um trecho de um conto de algum autor conhecido, propondo uma espécie de degustação às escuras. os leitores deveriam adivinhar, pelas características de estilo e linguagem, de qual escritor(a) pertencia aquele texto. no "domingo" seguinte o enigma era desvelado, o conto publicado na íntegra, revelando o seu autor, quando então uma nova xarada se repetia. ao que parece, tudo indica que esta brincadeira deve voltar ao blog em breve.

bom minha gente, fica aqui de bandeja essa fina e afiada sugestão aos leitores frequentes e de passagem. abaixo, links para alguns posts imperdíveis da gata. clicaí:

Contos:
O homem na multidão - Edgar Allan Poe
para ler clique aqui

Em terra de cego - H.G. Wells
para ler clique aqui

Lendas:
E-book - Salamanca do Jarau - Simões Lopes Neto
para ler clique aqui

Poemas:
Cão sem plumas - Cabral de Melo Neto
Leda e o Cisne - William Butler Yeats
O Duro Cerne da Beleza - William Carlos Williams
A Pantera - Rainer Maria Rilke
para ler clique aqui

Arte é Viagem - Cidades históricas de Minas Gerais
para ler clique aqui

Cultura Etílica - Drinks Curiosos
para ler clique aqui

27/08/2009


foto de Manuel Bandeira em seu observatório de livros


ESTRELA DA MANHÃ


Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã

Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda parte


Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto

Depois comigo

Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra
[e direi coisas de uma ternura tão simples

Que tu desfalecerás

Procurem por toda a parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã.

Manuel Bandeira
do livro Estrela da Manhã.


A CÓPULA

Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: - "Eu morro! queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro a o mangalho até o cabo.

Manuel Bandeira



escultura: Lowe London

a realidade é uma oficina pirogênica

no sopé
da grande bunda pasmacenta
a cloaca sagrada expele repugnâncias e bem-aventuranças
que o artista decompõe pacientemente em seu
atelier psicobélico de inutilidades

cada fibra
cada naco putrefato levado ao sol
cada rejeito dejeto embalagem plástica reciclada
uma fratura exposta, acinte-impropério, artefato belicoso
sob encomenda para a Bienal Internacional das Artes
de São Joaquim de Campos Leão

enquanto isso a cidadela se diverte
na opulência de sua indiferença degenerada
costela gorda polenta assada drogas mentiras e sexo pago
integralmente deduzível da pessoa física

alexandre brito
do inédito Cine ABC

04/07/2009



Dia 04/07 (sábado) 18h30
Qual é a do Erasmo de Roterdã
uma conversa entre três leitores do escritor e teólogo holandês, sobre
a escrita e as idéias de Erasmo de Roterdã no livro "O elogio da loucura".


Ricardo Silvestrin
escritor e músico

Carlo Pianta
músico, compositor e mestrando em literatura brasileira

Alexandre Brito
poeta e compositor

"Qual é?" acontece mensalmente, aos sábados, na livraria Palavraria.

rua Vasco da Gama, 165 - tel. 32684260
grátis


17/05/2009


oroboros
.
.
a língua é uma serpente sem pele e sem dentes
morde a si mesma com as gengivas de um velho diabo
.
já foi minha vizinha
mas no mês passado mudou para endereço ignorado
.
não bate bem do firmamento
tem a cabeça cheia de vocábulos
.
a víbora linguística
diz que do pensamento é o substrato
.
em nominar o inominado insiste
.
e só não é deus não porque não quer
mas porque ele não existe
.
.
alexandre brito
do inédito Cine ABC

05/04/2009

.
cambacicas

meu pai é uma espécie em extinção
dezenas de passarinhos o visitam diariamente
na sacada do apartamento

há um relacionamento de confiança entre eles
Cambacicas, Sanhaços, Saíras, Beija-flores
querem seu quinhão de água doce e guaraná

lê a Zero todos os dias
ouve o noticioso, assiste aos telejornais
não dá mais pra acreditar nos políticos
bandido brasileiro só é bandido no exterior
aqui é ministro, deputado, senador

preocupa-se com os netos, com os amigos
com parentes, o condomínio
comigo como se eu tivesse 48 anos
minha mãe não
pra ela não passei dos oito, treze, dezoito

os passarinhos fazem algazarra na sacada
querem mais do néctar que só ele faz
cada um tem um pai que o trouxe ao mundo
eu tenho um que ainda me trás
.
alexandre brito
do inédito Cine ABC

27/03/2009

tese sobre nada


uma caligrafia do imaginário
se reproduz segundo um código cifrado
em que se representam as idéias mediante caracteres simbólicos
metáforas consecutivas consideradas organicamente
nas constelações a que pertencem
sem auxílio de referências outras que não elas mesmas
mas, ao acolher ecos e reverberações sígnicas não mensuráveis
mantém um sentido, nas feições, no gesto
sempre transfigurado

assim uma escritura em ruptura
que avança do familiar ao desconhecimento
é lavrada no livro secreto das dúvidas
e, sem aparente significado especial
desprovida de qualquer relevância imediata
apenas e tão somente
articula substâncias essenciais medulares
exprimindo, por alusão, matéria subliminal
potencialmente transgressiva

pois esta entidade abstrata
esta quase impossibilidade
literalmente incapaz de ser definida
e determinada com certeza e/ou precisão
propaga-se, conceitual e esteticamente
quer por intangível que seja
quer por outro qualquer motivo
para além dos mapas tábuas e notações pré-estabelecidas
onde por exemplo, pedra em relação a ventania
harpia em relação a fósforo
ou ainda estrevania em relação a betoneira
habitam o âmago de uma mesma incógnita

sinto muito pelos cinco sentidos
não sentem o que eu sinto
os dois pés na cabeça de um fermento
encalacrado fora da zona de segurança
quando cada pormenor sem valor é crucial
e percorre o mesmo sol insólito dos hieróglifos
e, diferentemente do que se enuncia
a complexa simplicidade das coisas não requer preâmbulos
afirma-se per si, por abrasão, atrito, ou pelo puro
logológico jogo dos esquivocábulos

em sendo assim
uma poética das arestas é o que resta
protuberância viva no desmesuradamente plano
a parte visível do infinitamente dentro
o quinto lado do triângulo
.
alexandre brito
do inédito Cine ABC.

17/03/2009



Doravante Dora


Na noite escura
A luz é Dora
Dourada Dora
Mulher não és
Rabit, Dora?
Entre os sinais
Sinaliza Dora
Entre os espelhos
Já é Senhora
Sem mãe, sem pai
Sem história
Simplesmente Dora
Dourando ao sol
Dura luz
De Dezembro
É Dora
Café pequeno
No Café Concerto
Entre borboletas
Mariposa é Dora
DuraDoura
Contra a luz
No chafariz
Moeda morta
Meretriz
Menina insiste
Do fundo do fosso
Canção blue
Tema livre
Dora em declive
Teto Escarro Vão
Na noite escura
Luz difusa
Mariposa descontinua
Alguém chora
No beco escorre
Para sempre, Dora...
.
Sandra Santos
poeta, artista plástica, web-expert, assina o blog "A gata por um fio".

27/02/2009



não busco a palavra exata
o sentido. o sentimento
nem a pedra lançada no firmamento
ventania que represa o rio
entendimento

ou a palavra pela palavra
o sofrimento antigo. o novo
a liberdade selvagem do lobo
instinto que se quer arte
perfeição do ovo

não busco. mas encontro
.

alexandre brito
do inédito Cine ABC