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21/11/2009




Porta

(sobre fotografia de Fabiana Majola)

porta,
para onde abres?
o que trazes
por trás do teu perfume?
que vermelho te habita?
que chuvas lamberam
os pés de tuas tábua?
que mãos amaciaram
tua dura maçaneta?
quem imaginou
tua ríspida simetria?

quem te olha
como auscultando?
quem te fotografa
como pedindo
que te abras?
que setas
te delimitam?
qual verde
te escala?
porta,
és como uma boca:
fala!


Sidnei Schneider

Sidnei Schneider é poeta, tradutor, contista, e bacharelando em Letras/Inglês pela UFRGS. Autor dos livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), entre outros. 1º lugar no Concurso de Contos Caio Fernando Abreu, UFRGS, 2003 e 1º lugar em poesia no Concurso Talentos, UFSM, 1995, de um total de treze premiações. Publicou artigos, poemas, contos e traduções de poesia em jornais e revistas.

07/09/2009


conheça o blog da gata clicando aqui

Dica de blog:
A Gata por um Fio - A melhor literatura

a gata” já está há uns cinco anos na rede e atende pelo nome de Sandra Santos. neste tempo conquistou um espaço super bacana no web-mundo. a blogueira é artista plástica, poeta e outras cositas mais, razão pela qual literatura e artes visuais são assuntos permanentemente tratados. tecnologia é outra área de interesse da gata que também tem um apreço especial por viagens, drinks, lendas, etc etc e etc. sua curiosidade não tem limites. o gosto pela pintura, particularmente a pintura Naif, transformou o blog num espaço permanente de divulgação. ela está atualmente catalogando pintores Naifs do Brasil todo. “A Gata”chama atenção pela qualidade dos posts que, invariavelmente, ocultam dedicação extrema e pesquisa extensa. essa seriedade atraiu a atenção de craques no assunto como por exemplo o Bobs, site alemão que seleciona os melhores blogs do mundo, que destacou/indicou "A Gata por um Fio" como um dos melhores em conteúdo de língua portuguesa. uma seção prestigiadíssima era a "Domingo eu Conto", que a cada semana selecionava para degustação um trecho de um conto de algum autor conhecido, propondo uma espécie de degustação às escuras. os leitores deveriam adivinhar, pelas características de estilo e linguagem, de qual escritor(a) pertencia aquele texto. no "domingo" seguinte o enigma era desvelado, o conto publicado na íntegra, revelando o seu autor, quando então uma nova xarada se repetia. ao que parece, tudo indica que esta brincadeira deve voltar ao blog em breve.

bom minha gente, fica aqui de bandeja essa fina e afiada sugestão aos leitores frequentes e de passagem. abaixo, links para alguns posts imperdíveis da gata. clicaí:

Contos:
O homem na multidão - Edgar Allan Poe
para ler clique aqui

Em terra de cego - H.G. Wells
para ler clique aqui

Lendas:
E-book - Salamanca do Jarau - Simões Lopes Neto
para ler clique aqui

Poemas:
Cão sem plumas - Cabral de Melo Neto
Leda e o Cisne - William Butler Yeats
O Duro Cerne da Beleza - William Carlos Williams
A Pantera - Rainer Maria Rilke
para ler clique aqui

Arte é Viagem - Cidades históricas de Minas Gerais
para ler clique aqui

Cultura Etílica - Drinks Curiosos
para ler clique aqui

27/08/2009




Gozavam das primeiras núpcias quando a fatalidade os atingiu: morreram felizes para sempre.

alexandre brito
do inédito sem nome
poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry


Fez uma breve e meticulosa retrospectiva mental. Agora finalmente poderia deitar a cabeça no travesseiro e dormir. O corpo do psiquiatra jamais seria encontrado.


alexandre brito
do inédito sem nome.
poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry



Sentiu ciúme ao ver outro garoto dependurado na goiabeira da sua infância.


alexandre brito
do inédito sem nome.
poesia brasileira contemporanea - contemporary Brazilian poetry
Las Manos del Horror - Guaysamin

a coisa

acelerou na curva
ao entrar na Cavalhada avistou longe um passageiro
na parada uma surpresa. ninguém
fora ilusão de ótica? podia jurar que vira alguém
sua vista aguçada não costumava errar. tudo bem
passava da meia-noite e meia. estava cansado
seria a última viagem antes de recolher

arrancou o carro. engatou uma segunda
virou para comentar o fato com o colega
desaparecera
mais frio que aquela noite de inverno foi o arrepio
que percorreu-lhe. incrédulo olhou uma outra vez
para certificar-se do que acabara de ver
evaporara mesmo. vestígio algum do cobrador

seguiu para o fim da linha direto sem escalas
não pararia nem para o papa
mas nem bem acabara de pisar fundo o acelerador
um ruído. a catraca gira
aquele som não fazia sentido
o sentido da avenida não fazia sentido
o horror agira. a coisa finalmente o atingira

alexandre brito
do inédito Cine ABC