22/02/2009


o taifeiro


sob a lâmina das águas

dorme a carcaça do jovem taifeiro


nunca mais as fragatas

nunca mais os prostíbulos

as nódoas da manhã inquieta

nunca mais


crispam-se as ondas

dançam as algas

gritam os peixes

imperturbável é o sono das profundezas


cai o sol

cai a noite sobre o cais

nunca mais o dia

nunca mais

nunca mais


dorme o jovem taifeiro em seu leito de areia

sob o lençol negro de um oceano decepado

.

alexandre brito

do inédito Cine ABC

3 comentários:

  1. "cai o sol/cai a noite sobre o cais/nunca mais o dia/nunca mais/nunca mais"

    putz! supimpa demais.
    parabéns, poeta

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