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03/09/2009

download mp3 Expresso 2222 Gilberto Gil baixe grátis aqui

Expresso 2222 - Gilberto Gil - 1972


"Expresso 2222", primeiro lançamento pós-exílio de Gilberto Gil, mostra ele em altíssima forma, o gênio retornou pra terra natal mais genial do que nunca. O álbum deixa bem claro a visceralidade contida num Gil que matava a saudade de seu berço, mas que também soube fazer uso de forma magistral do exílio trazendo uma bagagem que serviria como 'divisora de águas' dentro de sua carreira. Todas as transformações passadas pelo baiano resultaram num material denso e consistente, com uma pegada rock'n'roll, porém, incrustrado de brasilidade de "cabo a rabo". Um trabalho que revela pro mundo um Gil agora dono de uma maturidade musical que aumentava a cada dia.

Gil escolheu como tema de abertura do álbum a música "Pipoca Moderna", de Sebastião Biano, música que em 1975 ganharia letra de Caetano Veloso, essa gravação acabou sendo a estréia em disco de um dos grupos mais tradicionais do nordeste, a Banda De Pífanos De Caruaru.

No livro 'Verdade Tropical' ainda há comentários que dizem que o encontro com a banda de pífanos fez Gilberto Gil compreender a música popular como um meio de cultura de massa e o nacionalismo das canções de protesto como algo sem sentido e ultrapassado. A viagem a Pernambuco teria fornecido ao compositor baiano os dois limites entre os quais, do seu ponto de vista, deveria se referenciar a Música Popular Brasileira: a Banda de Pífanos de Caruaru e os Beatles.

veja os vídeos:
http://www.youtube.com/watch?gl=BR&v=Ja7yBF5WzOk
http://www.youtube.com/watch?v=msknQAdP0DI&feature=related
fonte:
Marcel Cruz, Sacudinbenblog

01/09/2009


músicas mp3 Jorge Mautner download grátis
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vigarista Jorge - partido do Kaos

Jorge Mautner

Um Caráter Para Macunaíma

Jorge Mautner
Jornal da Tarde, 13 de março de 1987 - 24/10/2002

Quando eu e Gil nos conhecemos em Londres, em 1972, ele disse para Caetano: ‘Jorge Mautner é o primeiro intelectual branco que respeita a cultura negra no mesmo nível’. Tenho uma arte diferente da dele, mas nos entendemos muito bem. Gil já gravou várias canções minhas, "O Relógio Quebrou", "Rouxinol", "Maracatu Atômico". Essa união de negro, mulato e branco só é percebida por uma minoria, como eu, descendente dos campos de concentração e Gil descendente de escravos – não existe problema que não assimilamos. Figa Brasil tem a ver com isto, como tem a ver com o Movimento do Kaos, que lancei em 1958. Vamos juntar tudo: Oswald de Andrade, a filosofia humanista, a poética e a filosofia da Democracia, baseada em primeiro lugar na liberdade. Antes até da negritude, antes até das lutas sociais, queremos a visão humanista. Cada ser humano é único e sagrado. Isso nos fez sempre inimigos dos dogmas e suspeitos aos dogmáticos.

Vejo tudo mergulhado numa grande superficialidade, nunca o ser humano foi tão manipulado. Nunca se manipulou tanto a idéia da vida humana, a política, a democracia: o idealismo está sendo submergido. Nossa intenção é reverter essa situação. Queremos criar clubes filosóficos onde as pessoas se reúnam, discutam, analisem. Não se vê mais intelectuais discutindo, mostrando. Até os artistas estão encastelados no tédio dos seus castelos. O ensino, depois do Acordo MEC-USAID, foi completamente barateado, não se discute mais no colégios, não existe mais curiosidade, criatividade, estímulo. Comecei a escrever meus livros em classe, no Dante Alighieri. Tudo era ensinado com vida, palpitação, paixão. Hoje isso foi amordaçado, cortaram as interligações, os fios condutores. O resultado é essa superficialidade, essa tristeza do pós-modernismo, esse desespero.

Figa Brasil é uma convocação para nos comunicarmos de novo. Que venham todos os de boa vontade. Só estão barrados os racistas e os belicistas, pois até os conservadores esclarecidos são bem-vindos. Falando sobre o povo brasileiro, Julian Marias disse que "a maior riqueza do povo é o próprio povo. Existe um sonho que não foi destruído em cada um, que resiste". O Gil sempre tocou isso para seu grande público, e eu para meus fiéis seguidores. Vamos sair dos pequenos feudos do Brasil, chegar ao Brasil grande. No Brasil, inteligente é quem tira vantagem, idealista virou sinônimo de bobo. Mas não estou desencantado. Acredito em modernizar o país, acredito em ler, escrever, estudar. Acredito na paixão de resgatar a história real, a história do sambista, do feirante, do Filho de Gandhi. Essa história tem sido cerceada pela direita e pela esquerda – que cerceou Gilberto Freyre, por exemplo. Essa universidade paralela proposta pelo Figa Brasil está além da esquerda e direita, sua matéria-prima é a preocupação humanista que resiste em todos os lugares, desde a favela.

Não somos o Messias que chega, apenas juntamos nossas forças. Queremos caminhar sobre a brasa, não sobre a chama. Essa é uma coisa para nós todos fazermos – ou ninguém. Sem lideranças ou prioridades hierárquicas. Vamos misturar tudo, cultura alemã, americana, artes marciais, da China, samba e afoxé, o jeitinho brasileiro, nossa intuição. Chegou a hora de Macunaíma começar a elaborar seu caráter. Queremos o lúdico responsável, a radical democracia. D. Pedro II planejou bem a libertação dos escravos com educação, mas aí os latifundiários aliados com os militares proclamaram a República e jogaram os negros na liberdade selvagem, tão terrível quanto o capitalismo selvagem. Figa Brasil é o desejo de uma alquimia que faça encontrar os que estão separados. Que faça sambar os que só escrevem, que faça escrever os que só têm sambado!

fonte:
www.jorgemautner.com.br

28/08/2009

download mp3 Tropicalia Panis Et Circencis baixe gratis aqui

"Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia, resplendente, cadente, fagueira, no calor girassol com alegria, na geléia geral brasileira que o jornal do Brasil anuncia..."

1968... o ano que não terminou, um movimento se anuncia e chega com tudo, quebrando paradigmas, criando comportamentos, chocando o conservadorismo vigente e deixando fortes marcas na história musical brasileira, um concentrado de tudo o que havia em medidas esteticamente proporcionais e de admirável beleza.

A bossa nova, o brega, o trágico com um que de comicidade de Vicente Celestino, o rock'n'roll, as guitarras elétricas, o samba, os Beatles, Hendrix, a antropofagia, o cinema marginal de Sganzerla, o cinema novo de Glauber, o concretismo, Mautner, Hélio Oiticica, a pop art e mais inúmeras atitudes revolucionárias, são alguns dos ingredientes que fizeram engrossar essa geléia que teve em Gil, Caetano e Rogério Duprat a sua maior representação. Muitos outros também fizeram parte, mas musicalmente falando o núcleo principal é esse aí.


"Tropicália ou Panis et Circencis", lançado em agosto de 1968, é um disco manifesto, nele temos a síntese do que é o movimento tanto musicalmente quanto esteticamente. Cada faixa, uma faceta revelada, uma identidade, um conjunto de extrema coerência.

o Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e internacional (como o pop-rock e o concretismo); Contrabandoeou do Modernismo de 22 a idéia da "Antropofagia", transvertida para o conceito de "Geleia Geral"; mesclou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha também objetivos sociais e políticos, mas principalmente comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final dos anos 60. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Torquato Neto, Gilberto Gil, Os Mutantes, Capinam e Tom Zé); houveram manifestações artísticas diversas, como nas artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), no cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e no teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa).

neste site aqui tem informações e fotos legais desse momento, ou movimento, como queiram, que no dizer de Gilberto Gil "...limpou, arou, plantou, mas não colheu."

ouça o discurso inflamado de Caetano Veloso no III Festival de Música Popular Brasileira da Record de 1969 aqui.

baixe o LP Tropicália por aqui